Roque Santeiro
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Roque Santeiro

Roque Santeiro

Tipo

Série

Ano

1985

Duração

45 min

Status

Ended

Lançamento

1985-06-24

Nota

8.8

Votos

23

Direção/Criação

Gonzaga Blota

Orçamento

-

Receita

-

Temporadas

1

Episódios

209

Sinopse

Em Asa Branca, os moradores vivem em função dos supostos milagres de Roque Santeiro, que teria morrido como mártir, mas reaparece anos depois, ameaçando o poder das autoridades.

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Reviews

Total: 1

Filipe Manuel Neto

**Talvez uma das melhores novelas de sempre.** Eu vi "Roque Santeiro" na primeira vez que a novela foi re-exibida em Portugal, o que aconteceu por volta de 1994. Voltei a vê-la alguns anos depois, em 2016. O enredo foi escrito por Dias Gomes e tem lugar na cidade de Asa Branca, famosa depois de um acólito local, Roque Santeiro, assassinado enquanto defendia a igreja de um famoso ladrão chamado Navalhada, começar a ser autor de vários milagres. A fama do santo começa a espalhar-se e a cidade cresce e enriquece à custa do turismo e dos lucros obtidos com esse fenómeno. Mas o que acontece se, afinal, Roque Santeiro nunca morreu e reaparece? O enredo introduz e discute temas complexos de uma maneira leve e divertida, como a hipocrisia, os falsos mitos ou os fenómenos religiosos inventados e alimentados por interesses financeiros. Outra questão que é abordada na trama é a impotência das autoridades diante do poder de alguns indivíduos, que podem fazer o que querem sem que nada lhes aconteça. Jose Wilker é um dos actores mais notáveis aqui. Ele dá vida a Roque, obtendo a sua consagração como actor dramático. Ele foi incrível. Outro grande actor que deu imensa personalidade a esta novela foi Lima Duarte, que dá vida ao vilão, Sinhozinho Malta, o manda-chuva da cidade. Ele não é necessariamente uma pessoa má, é muito engraçado e tem um coração grande, um lado muito humano e atencioso... mas é melhor você não cruzar o seu caminho, a fim de evitar acidentes potencialmente fatais! Outra personagem icónica desta novela é a Viúva Porcina, interpretada por Regina Duarte. Ela é a amante oficial de Sinhozinho Malta, mas a sua fama e prestígio foram construídos ao apresentar-se como a sofrida viúva de Roque Santeiro, que ela nunca conheceu. Na verdade, ser viúva não combina com ela, já que cultiva um gosto chamativo, seja em roupas e jóias ou na decoração da casa. Além deste trio bizarro (um santo que não é santo, um vilão de coração bom e uma viúva que nunca se casou), esta novela tem outras personagens interessantes: Lídia Brondi deu vida a Tânia, a filha rebelde de Malta; Armando Bógus interpretou Zé das Medalhas, o principal comerciante da cidade, que fez fortuna com a venda de lembranças de Roque Santeiro; Ary Fontoura, no papel de Florindo, é o manipulável e passivo presidente da câmara; Cláudio Cavalcanti deu vida ao modernista padre Albano, líder espiritual de Vila Miséria, enquanto Paulo Gracindo fez o papel do conservador Padre Hipólito. Fábio Júnior fez o promíscuo Roberto Mathias e Elizângela deu vida à sua esposa, obsessiva e ciumenta. Por fim, vale a pena falar sobre Maurício do Valle, que deu vida ao Delegado Feijó, o director cinematográfico Gérson do Valle, interpretado por Ewerton de Castro, Nelson Dantas, que interpretou o Beato Salú e Yoná Magalhães, que deu vida à modernista e iconoclasta Matilde. Pensada como uma sátira social e política, esta trama foi censurada durante a ditadura militar brasileira. Talvez tenha sido melhor assim: dez anos depois, ela pôde finalmente ser feita e apresentada, com um elenco de luxo, personagens imortais e uma história tão notável que, ainda hoje, é lembrada. Então, eu atrevo-me a pensar que esta novela pode ser considerada uma das melhores já feitas em terras de Vera Cruz.

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