Rei Tut
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Rei Tut

Rei Tut

Garoto. Rebelde. Rei.

Tipo

Série

Ano

2015

Duração

90 min

Status

Ended

Lançamento

2015-07-19

Nota

7.2

Votos

204

Direção/Criação

Peter Paige

Orçamento

-

Receita

-

Temporadas

1

Episódios

3

Sinopse

A saga surpreendente de Tutankamon, o Rei Tut, um dos governantes mais extraordinários da história, sua ascensão ao poder e sua luta para levar o Egito à glória, enquanto seus conselheiros mais próximos, amigos e amantes tramam em favor de seus próprios e mal intencionados interesses.

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Reviews

Total: 1

Filipe Manuel Neto

**Reescrever a história do faraó mais icónico do Antigo Egipto.** Pessoalmente, e apesar de gostar de ver, tenho bastantes pruridos com filmes e séries de TV que tenham por base material histórico. Geralmente acabam por ter tão pouco rigor na forma como mostram o passado e as personagens históricas reais que se tornam dignas do meu ódio ou do meu desprezo, enquanto historiador. Esta série é mais uma, com uma agravante: não conhecemos assim tanto quanto queríamos sobre a vida de Tutankhamon. Na verdade, até onde sabemos, Tutankhamon é um dos faraós mais apagados da dinastia a que pertenceu. A história do seu pai, Akhenaton, é bastante mais interessante na medida em que protagonizou um grave conflito religioso no seio do Egipto, um país onde o faraó era também chefe da religião estatal. No entanto, não é possível fugir do fascínio que este jovem rei exerce sobre nós. Ele é, com a sua máscara funerária, o rosto do Antigo Egipto. O verdadeiro faraó Tut terá nascido de uma união incestuosa e começou a reinar por volta dos dez anos de idade. Casou com uma meia-irmã, com quem teve duas filhas que não sobreviveram à infância. A série aborda muito o problema da sucessão, mas refere muito brevemente estes nascimentos e trata-os como simples abortos. A série aproveita também para criar em torno do faraó uma teia de intrigas e conspirações envolvendo o vizir Ay, o qual era chefe do governo, e o comandante geral do exército, general Horemheb. Ambas as personagens existiram e vieram a reinar, sucessivamente. Um dos pontos mais errados da série, do ponto de vida do rigor histórico, diz respeito aos Mitani. A série retracta este reino de uma forma que, apesar de nunca o situar no mapa-múndi, parece coloca-lo ao Sul do Egipto, no actual Sudão, razoavelmente perto do Egipto para que as personagens da série se deslocassem até às suas terras em apenas alguns dias de jornada. A realidade é, contudo, muito diferente: o reino Mitani foi um dos reinos hurritas e situava-se mais ou menos no actual Curdistão, bastante longe da capital egípcia para representar perigo! Ainda mais flagrante é a forma errada como o próprio Tutankhamon é representado. Além das feições razoavelmente europeias e da tez branca, o faraó é mostrado como uma pessoa saudável, até atlética e capaz de combater. Na realidade, e tendo por base a análise da sua múmia, sabemos que Tutankhamon era frágil e terá tido dificuldades para caminhar por sofrer de uma forma ligeira de escoliose e uma deformação num pé. Portanto, esqueçam o faraó guerreiro! Agora que vimos o quão esta série foi capaz de atropelar a História fica a questão: valeu a pena? De facto, a série entretém, funciona bem como peça de entretenimento apesar de enganar as pessoas e passar a ideia errada do faraó! Razoavelmente bem feita e contando com um elenco excelente, a série é decente. O elenco é fortemente baseado nos desempenhos de dois actores em concreto: Avan Jogia e o veterano Ben Kingsley. Ambos foram eficazes no seu trabalho e souberam actuar com eficácia, especialmente Kingsley, que deu a Ay uma aura maquiavélica. Temos ainda a boa performance de Kylie Bunbury, que deu vida à personagem mais emotiva e capaz de chegar ao público. Também admiráveis e dignos de louvor foram os esforços de Nonso Anozie e Iddo Goldberg. Sibylla Deen deu-nos a interpretação mais frágil, mas ainda foi bastante convincente, especialmente nas cenas de maior carga dramática. Tecnicamente, é uma série de qualidade mediana. A cinematografia é bastante boa tendo em conta a qualidade TV que a série transpira. Usando e abusando do CGI e da tela verde que tudo possibilita, foi possível recriar o Egipto sem grandes custos embora perdendo aquela agradável sensação de realismo. O palácio real com aqueles pisos sobrepostos, por exemplo, é excessivamente fantasioso para ser crível e há mais problemas de lógica e de falta de credibilidade a surgir por toda a parte. É o caso das armaduras militares egípcias, claramente inventadas sem o apoio da arqueologia, e tendo como objectivo apenas e só o critério estético da produção. A banda sonora é boa, mas de qualidade TV.

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