Os Maias
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Os Maias

Os Maias

Tipo

Série

Ano

2001

Duração

-

Status

Ended

Lançamento

2001-01-09

Nota

7.1

Votos

16

Direção/Criação

Luiz Fernando Carvalho

Orçamento

-

Receita

-

Temporadas

1

Episódios

42

Sinopse

A história trágica de uma família de Lisboa, no século 19, atravessa gerações e faz um retrato da decadente aristocracia portuguesa.

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Reviews

Total: 1

Filipe Manuel Neto

**Uma minissérie competente e bem feita que, todavia, tem algumas falhas menores a considerar.** Creio que não estou a dizer nada novo se afirmar que a dramaturgia brasileira é das melhores e mais interessantes do universo sul-americano, e a mais bem difundida internacionalmente em língua portuguesa. Isso não denota qualquer demérito das produções televisivas portuguesas ou até angolanas…, mas mostra a força do mercado de TV brasileiro e a capacidade brasileira para exportar e vender o que é feito pelas suas emissoras de televisão. Coisas que a produção dramática portuguesa teima em não aprender, apesar dos excelentes actores e pessoal técnico. Esta minissérie, em cerca de cinquenta episódios, tem já uns largos anos, mas foi uma das que me marcou pelos contínuos acenos a Portugal, apesar de ter sido um grande fracasso no seu país de origem. Pessoalmente, não me surpreende: baseada em obras literárias do notabilíssimo escritor português Eça de Queirós (“Os Maias”, a obra-prima do autor, e ainda “A Capital” e “A Relíquia”), a série traz um conteúdo que os portugueses conhecem muito bem porque o escritor é português e os livros dele são matéria obrigatória de estudo na escola portuguesa! Eu não sei se Eça de Queirós tem o mesmo peso e importância nos manuais escolares brasileiros, mas sei que os brasileiros não são particularmente fãs da leitura de um bom livro, principalmente se tal livro é tão longo, tão maçudo e tão intrincado quanto “Os Maias”. Portanto, só por aqui, a série estava fadada a não ser um grande sucesso no seu país de origem. A série é bastante boa e vale a pena perder uma hora por dia para a ver por inteiro. Apesar de abordar temas bastante intensos, como o adultério e o incesto, não vi cenas particularmente inadequadas (talvez por a televisão portuguesa fazer cortes severos às cenas mais picantes que o material brasileiro traz?) e fiquei bastante agradado com a qualidade geral. A única coisa que realmente me decepciona é incluir enredo e personagens de outros livros, ao invés de dedicar toda a atenção a “Os Maias”. Acho que teria sido um esforço mais bem recompensado, e que faria mais justiça à obra literária genial de Eça de Queirós que, neste livro, não só conta um bom romance como faz críticas ao pensamento, costumes e modo de vida, indolente e decadente, da alta sociedade lisboeta, que ele, como nobre e diplomata, tão bem conheceu. Os actores são bons, sendo que as melhores interpretações são dadas por Ana Paula Arósio, Fábio Assunção, Walmor Chagas, Selton Melo, Simone Spoladore e Osmar Prado. Pessoalmente, não gostei de Otávio Muller, penso que tornou a personagem dele excessivamente caricatural e forçada. Creio que a série teria ganhado em qualidade se alguns dos actores (os mais relevantes) fossem portugueses e falassem sem sotaque, mas consigo entender os motivos para isso não se ter realizado: os brasileiros, em geral, têm uma enorme dificuldade em entender os Portugueses quando eles falam naturalmente. Simplesmente não estão habituados a ouvir-nos! Apesar de a maioria da série ter sido filmada em estúdio, conta com várias cenas ambientadas em locais de filmagem perto do Rio e de Minas Gerais, assim como em Portugal. Os detalhes de cariz temporal foram meticulosamente pensados, e a recriação dos ambientes e época está bem feita, principalmente se considerarmos que é material para a TV. Por fim, e antes de terminar, uma palavra para a banda sonora, da responsabilidade de John Neschling: se a música incidental é excessivamente dramática e isso pode ser kitsch, as boas canções e melodias do desaparecido grupo musical português Madredeus compensam-nos largamente, e acabam por se impor, em canções como “O Pastor”, “Ilhas dos Açores” ou “Haja o que Houver”. Eu só senti falta de uma coisa: mais melodias de época, que nos inserissem mais no ambiente oitocentista.

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